Mesmo com a tecnologia avançada de sequenciamento de DNA atual, as causas genéticas subjacentes a muitos distúrbios raros do movimento permanecem desconhecidas. Pesquisadores na Alemanha descobriram agora uma nova pista importante. Analisando 2.811 pessoas com ataxia, paraplegia espástica hereditária e distonia, os cientistas identificaram variantes deletérias de um gene chamado CD99L2 como a causa da ataxia espástica ligada ao X.
Descobertas, publicadas Comunicação da naturezaAjuda a explicar um distúrbio neurológico anteriormente não resolvido e fornece novos insights sobre como certas doenças neurodegenerativas se desenvolvem.
Os pesquisadores ligaram o CD99L2 a doenças neurológicas raras
Antes deste estudo, o CD99L2 era reconhecido principalmente pelo seu papel no sistema imunológico. Nenhuma função neurológica foi estabelecida para o gene.
Usando uma combinação de análise genética de todo o genoma e experiências laboratoriais em células, a equipa de investigação mostrou que o CD99L2 também é essencial para as vias de comunicação entre as células nervosas. Suas descobertas mostraram que o gene desempenha um papel importante na manutenção da sinalização neuronal normal.
Como os genes afetam a função das células cerebrais
Cientistas da Ruhr University Bochum descobriram que a proteína produzida por CD99L2 atua como um parceiro ativo para CAPN1, uma protease dependente de cálcio já conhecida por estar envolvida na paraplegia espástica hereditária e na ataxia.
“As variantes causadoras de doenças interrompem a produção da proteína CD99L2 nas células e impedem sua interação com CAPN1”, explica o Dr. Jonas Weber. “As células do paciente também mostraram perturbações específicas dos processos sinápticos”.
Segundo os pesquisadores, o defeito no CD99L2 reduz a ativação do CAPN1. Isto, por sua vez, perturba importantes vias de sinalização neuronal, fornecendo uma possível explicação para os sintomas relacionados com o movimento observados nos pacientes afetados.
Combinando genética e neurociência
Os resultados destacam o valor de combinar testes genéticos com estudos funcionais de como os genes funcionam dentro das células.
“Nossos resultados mostram que o diagnóstico genético e a neurociência funcional não são campos mutuamente exclusivos”, diz Weber. “Somente quando ambas as disciplinas trabalham em estreita colaboração é que um processo de doença confiável pode surgir a partir de uma variante genética.”
A identificação do CD99L2 como um gene causador de doenças pode melhorar o diagnóstico genético de pessoas com distúrbios motores raros. Isto fornece aos pesquisadores novas informações sobre os processos biológicos envolvidos na neurodegeneração.
O que é ataxia espástica?
A ataxia espástica é um grupo de doenças neurodegenerativas raras caracterizadas por problemas de coordenação de movimentos (ataxia) com paralisia espástica. Os sintomas resultam de danos que afetam o cerebelo e as vias motoras do sistema nervoso central.
A idade em que os sintomas aparecem e a progressão da doença podem variar muito, dependendo dos fatores genéticos subjacentes.
A análise genética em larga escala de coortes de pacientes foi realizada em Tübingen sob a supervisão do Dr. Tobias Haack. Os estudos funcionais dos genes da doença recentemente identificados foram liderados pelo Dr. Jonas Weber e colegas do Departamento de Genética Humana da Ruhr University Bochum.



