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Os humanos são realmente os superpredadores definitivos?

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Os humanos ganharam a reputação de “superpredadores” porque caçam, capturam e pescam em uma escala incomparável a outros predadores. Essas atividades podem remodelar o comportamento animal em toda a paisagem. No entanto, uma nova investigação liderada pelo Centro de Ciências Ecológicas do Instituto Indiano de Ciência (IISc) sugere que nem todos os tipos de vida selvagem respondem à presença humana da mesma forma.

Os animais são constantemente ameaçados quando os humanos representam uma ameaça letal direta através da caça ou da pesca. A sua resposta à actividade humana não letal, no entanto, é muito menos previsível.

Como a vida selvagem responde às ameaças humanas

A meta-análise, publicada na Ecology Letters, reuniu três décadas de investigação que examina como os animais selvagens mudam o seu comportamento perto dos humanos. Os investigadores compararam mudanças na alimentação, estado de alerta e movimento em muitas espécies e ecossistemas para determinar se os indivíduos são sempre considerados ameaças extremas.

“A resposta curta é: não, nem sempre”, disse Sean D’Souza, estudante de doutoramento no CES e principal autor do estudo. “Encontramos fortes evidências de que seres humanos letais, como caçadores e pescadores, são de fato vistos como ameaçadores. Os animais em áreas expostas a seres humanos letais estão mais alertas e passam menos tempo. Em contraste, as respostas a seres humanos não letais, como turistas ou investigadores, são mais fracas e mais variáveis.”

Estradas e assentamentos podem parecer seguros

Uma das descobertas mais inesperadas foi a infra-estrutura humana, incluindo estradas e povoações, por vezes tornando os animais menos alertas.

“Em alguns casos, estas áreas podem funcionar como refúgios”, explica D’Souza. “Os predadores muitas vezes evitam os humanos, o que pode fazer com que as áreas próximas aos humanos pareçam mais seguras para algumas espécies de presas”.

A coautora Maria Thacker, professora do CES, disse que outro fator poderia ser a vegetação aberta ao longo da estrada. Estas áreas desmatadas podem proporcionar áreas de pastagem atraentes para pequenos animais. Contudo, aqueles que se alimentam perto das estradas enfrentam o perigo de serem atropelados por veículos.

O custo de ser cauteloso

Os pesquisadores se concentraram na busca por alimentos, no estado de alerta e no movimento porque cada comportamento reflete as escolhas complexas que os animais fazem ao avaliar o perigo.

Cada momento gasto na verificação de ameaças tira tempo da alimentação. Mudanças no movimento também podem afetar a quantidade de energia que um animal utiliza e se ele consegue chegar a comida, abrigo ou outros recursos importantes. Dado que estes comportamentos afectam a sobrevivência e a reprodução, podem revelar como o medo humano pode moldar as populações de vida selvagem ao longo do tempo.

Os animais se ajustam ao nível de risco

Os resultados geralmente apoiam a “hipótese de alocação de risco”, que propõe que os animais mudam o seu comportamento de acordo com a gravidade e previsibilidade da ameaça.

Quando o perigo é frequente e intenso, os animais ficam alertas, diz D’Souza. Quando uma ameaça é limitada ou ocorre de forma previsível, a vida selvagem pode estar mais disposta a relaxar e retomar as atividades normais.

Estas decisões podem ter consequências que vão além de um único animal. Mudanças na alimentação, no movimento e no medo podem se espalhar pelos ecossistemas, afetando os padrões de alimentação, as relações predador-presa e a estabilidade ecológica mais ampla.

Potenciais impactos do conflito com a vida selvagem

O coautor Karthik Shankar, professor do CES, disse que os efeitos comportamentais da atividade humana letal podem ter implicações na gestão de conflitos entre humanos e animais selvagens. De acordo com Shankar, a matança limitada pode, por vezes, desencorajar os animais selvagens de entrar em áreas ocupadas pelo homem de forma mais eficaz do que outros métodos actualmente em uso.

Os pesquisadores dizem que é necessário mais trabalho para prever como diferentes espécies responderão a diferentes ambientes.

“Precisamos de estruturas mais preditivas que liguem as respostas comportamentais ao contexto ecológico e evolutivo. Estas incluem características das espécies, exposições humanas passadas, comunidades de predadores e estrutura da paisagem”, disse D’Souza.

A investigação experimental e de longo prazo será essencial para determinar se os animais estão simplesmente a adaptar-se à actividade humana ou a experimentar mudanças evolutivas profundas, acrescentou.

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