Um antidepressivo amplamente disponível poderia proporcionar um alívio significativo para pessoas que sofrem de fadiga crónica devido à Covid prolongada, de acordo com um ensaio clínico global co-liderado pela Universidade McMaster.
Os pesquisadores descobriram que a fluvoxamina (vendida sob a marca Luvox), um medicamento barato já comumente usado para tratar a depressão e outras condições, reduziu a fadiga e melhorou a qualidade de vida em adultos com Covid crônica. Um ensaio randomizado e controlado por placebo foi publicado História da Medicina Interna.
Um tratamento potencial para fadiga crônica por cobiça
A fadiga está entre os sintomas mais frequentes e incapacitantes relatados por pacientes crônicos de Covid. Para alguns, a fadiga é suficientemente grave para interferir no emprego, nas responsabilidades familiares e nas atividades diárias. Apesar da escala do problema, ainda existem poucos tratamentos apoiados por fortes evidências clínicas.
“Este é um passo importante para os pacientes desesperados por opções baseadas em evidências”, disse Edward Mills, professor de métodos de pesquisa, evidências e impacto no Departamento de Saúde McMaster e co-investigador principal do estudo. “A fluvoxamina demonstrou benefícios consistentes e significativos e, como já é amplamente utilizada e bem compreendida, tem um claro potencial para uso clínico”.
Pesquisadores do Canadá, Brasil e Estados Unidos lideraram conjuntamente o estudo. Os locais clínicos estavam localizados em Belo Horizonte e Minas Gerais, Brasil.
O ensaio Revive-Together reúne pesquisadores da McMaster University, University of British Columbia, Stanford University, University of Pittsburgh, Duke University, Georgetown University e diversas instituições brasileiras.
Testando fluvoxamina e metformina
O estudo incluiu 399 adultos brasileiros que experimentaram fadiga contínua por pelo menos 90 dias após a confirmação da infecção por SARS-CoV-2. Os participantes foram colocados aleatoriamente em um de três grupos e receberam fluvoxamina (vendida sob a marca Luvox), metformina (um medicamento comum para diabetes) ou placebo por 60 dias.
“Queríamos testar se dois medicamentos existentes, amplamente disponíveis e acessíveis poderiam ajudar. Ambos tinham razões biológicas para pensar que poderiam funcionar contra a fadiga crónica da Covid, mas não tinham sido rigorosamente testados para este fim num ensaio clínico adequado”, disse Mills.
A fluvoxamina teve melhor desempenho que o placebo na redução da fadiga. A análise estatística indicou uma probabilidade de 99 por cento de que o medicamento fosse mais eficaz que o placebo. Os participantes que receberam fluvoxamina também relataram ganhos na qualidade de vida geral em diversas medidas.
A metformina não produziu os mesmos resultados. Estudos anteriores demonstraram que tomar metformina nas fases iniciais de uma infecção por cobiça pode reduzir o risco de cobiça prolongada mais tarde. Neste ensaio, no entanto, o medicamento não proporcionou qualquer melhoria significativa para pessoas que já tinham estabelecido fadiga prolongada por causa da covid.
Um desenho de ensaio clínico adaptativo
Os pesquisadores usaram um desenho de ensaio adaptativo bayesiano, que lhes permitiu separar os grupos de tratamento logo após a evidência ser suficientemente clara. Esta abordagem pode chegar a conclusões confiáveis mais rapidamente do que os ensaios convencionais, mantendo o rigor científico.
“O ensaio utilizou um design adaptativo sofisticado que permitiu chegar a conclusões de forma mais eficiente do que os ensaios tradicionais, parando precocemente quando as evidências eram suficientemente claras – uma inovação de design tão importante quanto os resultados”, disse Gilmar Reis, autor principal da Cardresearch, pesquisador brasileiro de pesquisa clínica baseado em Belo Horizonte. Reiss também é professor associado de meio período na McMaster.
Mais pesquisas ainda são necessárias
A Covid crónica continua a representar um grande desafio de saúde global e estima-se que afecte aproximadamente 65 milhões de pessoas em todo o mundo. Como as terapias comprovadas permanecem escassas, a maioria das recomendações de tratamento concentra-se em estratégias de suporte, incluindo estimulação da atividade e manejo individual dos sintomas.
Os pesquisadores alertam que a fluvoxamina não é uma solução completa para a cobiça prolongada. A condição pode envolver uma variedade de sintomas e processos biológicos, e o medicamento parece particularmente promissor no tratamento da fadiga.
Serão necessárias pesquisas adicionais para determinar quais pacientes podem se beneficiar mais, entender por que o medicamento funciona e explorar se ele pode ser usado junto com outros tratamentos em desenvolvimento.
“Este ensaio dá aos médicos a primeira evidência forte de um medicamento que ajuda a reduzir a fadiga crónica da Covid. Os pacientes querem algo que possam experimentar hoje – e esta descoberta aproxima-nos dessa realidade”, disse Jamie Forrest, investigador de pós-doutoramento na Universidade da Colúmbia Britânica e autor correspondente.
O estudo foi financiado pela Fundação Latona.



