O canabidiol, mais conhecido como CBD, está atraindo a atenção dos cientistas que estudam a doença de Alzheimer. Novas pesquisas sugerem que compostos derivados da cannabis podem ajudar a reduzir a inflamação prejudicial no cérebro, um processo que cada vez mais se acredita desempenhar um papel importante na progressão da doença de Alzheimer.
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, uma condição que prejudica gradualmente a memória, o pensamento e o comportamento. Ao longo dos anos, a maior parte das pesquisas sobre Alzheimer concentrou-se na formação de placas amilóides e emaranhados de tau no cérebro. Esses aglomerados anormais de proteínas são considerados um sintoma característico da doença. No entanto, muitos investigadores acreditam agora que a inflamação crónica no cérebro pode ser a causa raiz dos danos nas células nervosas.
CBD e inflamação cerebral
A inflamação faz parte do sistema imunológico natural do corpo. No cérebro, as células imunológicas normalmente ajudam a proteger os neurônios e a eliminar detritos prejudiciais. Mas quando a inflamação se torna crónica, pode danificar o tecido cerebral saudável. Esta superativação imunológica contínua, muitas vezes chamada de neuroinflamação, tem sido associada à doença de Alzheimer e a várias outras doenças neurológicas.
Um novo estudo publicado em eNeuroInvestigadores liderados por Babak Baban, da Universidade de Augusta, investigaram se o CBD poderia ajudar a acalmar esta resposta inflamatória prejudicial no cérebro.
A equipe usou um modelo de rato bem estabelecido para a doença de Alzheimer e administrou CBD por inalação. Eles então examinaram como o composto afetava a atividade imunológica e a sinalização inflamatória no sistema nervoso central, que inclui o cérebro e a medula espinhal.
Pesquisadores identificam mudanças nas principais vias imunológicas
Utilizando vários testes moleculares e genéticos, os cientistas descobriram que o CBD reduziu a atividade de vários reguladores importantes envolvidos na neuroinflamação. O tratamento também foi associado à redução de moléculas pró-inflamatórias, substâncias que podem piorar a inflamação e contribuir para danos nos tecidos.
Os investigadores também identificaram vias específicas relacionadas com o sistema imunitário com as quais o CBD demonstrou interagir. Estes resultados sugerem que o composto pode afectar múltiplos sistemas biológicos envolvidos na doença de Alzheimer.
“O trabalho de Alzheimer há muito se concentra em placas e emaranhados”, diz Babon. “Mas a nossa investigação mostra que a autoinflamação crónica é também um factor-chave desta doença. O que é emocionante é que o CBD não só acalma esta hiperactivação do sistema imunitário, mas, em trabalhos anteriores, demonstrámos que também pode ajudar a limpar a placa bacteriana e os emaranhados através de um mecanismo diferente. Juntos, isto aponta para uma abordagem multifacetada com potencial real”.
Crescente interesse em tratamentos multi-alvo para Alzheimer
Os cientistas estão explorando cada vez mais tratamentos que visam múltiplos aspectos da doença de Alzheimer ao mesmo tempo. Como a condição envolve muitas alterações biológicas sobrepostas, incluindo inflamação, acúmulo de proteínas e danos neuronais, os pesquisadores acreditam que uma estratégia multialvo pode ser mais eficaz do que focar apenas em uma única via.
Embora os resultados sejam promissores, o estudo foi realizado em ratos, não em humanos. Serão necessárias mais pesquisas e ensaios clínicos antes que os cientistas saibam se o CBD pode ser um tratamento seguro e eficaz para pessoas com doença de Alzheimer.
Ainda assim, as descobertas acrescentam evidências crescentes de que o controle da inflamação cerebral pode se tornar uma parte importante das futuras terapias para o Alzheimer.



