Os medicamentos atualmente em teste para tratar a hepatite C também podem funcionar contra a hepatite E, impedindo a replicação do vírus.
A hepatite E infecta milhões de pessoas em todo o mundo e causa aproximadamente 70.000 mortes a cada ano. Apesar dos seus efeitos, ainda não existe uma vacina aprovada ou tratamento direcionado. Essa situação poderá mudar em breve com a descoberta do bemnifosbuvir, um composto que apresenta potente atividade contra o vírus da hepatite E (HEV).
Uma equipe internacional de pesquisadores de Bochum e Heidelberg, na Alemanha, e de Pequim, na China, identificou o medicamento durante a triagem de uma coleção de compostos antivirais. O bemnifosbuvir pertence a uma classe de moléculas conhecidas como análogos de nucleotídeos/nucleosídeos. Como já está a ser testado em ensaios clínicos para a hepatite C, os cientistas estão esperançosos de que possa ser reavivado como tratamento para a hepatite E mais rapidamente. Seus resultados foram publicados na revista intestino em 6 de março de 2026.
Como as drogas bloqueiam a replicação viral
Os pesquisadores começaram analisando uma biblioteca comercialmente disponível de análogos de nucleotídeos/nucleosídeos, que são projetados para imitar os blocos de construção do material genético. “Essas moléculas produzidas artificialmente são construídas da mesma forma que os blocos de construção do nosso material genético e da mesma forma que os vírus”, explica a Dra. Mara Klone, da Ruhr University Bochum.
Para identificar candidatos promissores, a equipa testou cerca de 500 compostos utilizando um vírus da hepatite E especialmente produzido que produz um sinal fluorescente. Eles infectaram culturas de células com esse vírus modificado e depois trataram as células com vários compostos. Ao rastrear a fluorescência, eles podem determinar rapidamente se o vírus está se replicando.
“Com o bemnifosbuvir pudemos ver que o vírus já não se replicava, enquanto as células tratadas permaneciam saudáveis”, relata Zhongzhen Hu, da Universidade de Heidelberg. Estudos de acompanhamento em animais confirmaram que o medicamento reduziu a atividade viral e a inflamação do fígado.
“Se os ensaios clínicos em curso do bemnifosbuvir contra a hepatite C forem bem-sucedidos, o medicamento poderá em breve estar disponível para uso off-label contra a hepatite E”, afirmaram o Dr. Viet Lon Dao Thi e o Professor Ike Steinman.
Risco de hepatite E e falta de tratamento
O vírus da hepatite E (HEV) é uma das principais causas de hepatite viral aguda. Embora muitas infecções se resolvam espontaneamente em pessoas com sistemas imunitários saudáveis, o vírus pode persistir em pessoas com sistemas imunitários enfraquecidos, incluindo receptores de transplantes de órgãos e pessoas que vivem com VIH. Representa um sério risco durante a gravidez.
A doença foi documentada pela primeira vez num grande surto entre 1955 e 1956, mas demorou décadas para se tornar um foco importante da investigação científica. Ainda hoje não existe vacina ou terapia antiviral específica disponível.
Cooperação internacional e apoio à investigação
A pesquisa envolveu o Departamento de Virologia Molecular e Médica da Universidade Ruhr de Bochum, o laboratório Dao Thi do Centro de Pesquisa Integrativa de Doenças Infecciosas (CIID) do Hospital Universitário de Heidelberg e o laboratório Lin Wang da Universidade de Pequim, na China.
O estudo foi apoiado pelo Programa Nacional Chave de Pesquisa e Desenvolvimento da China (2023YFC2306900), a Fundação Alemã de Pesquisa (projeto número 240245660) dentro do programa de pesquisa “Terapias Antivirais” da Baden-Württemberg Stiftung, dentro do Centro de Pesquisa Colaborativa 1129. recebeu apoio de múltiplas fontes de financiamento, incluindo o Centro de Hepatite para Hepatite. 05.823, Fundação Municipal de Ciências Naturais de Pequim (L244032) e Fundação Nacional de Ciências Naturais da China (82522053).



