Durante muitos anos, os cientistas acreditaram ter uma imagem clara do que causa a asma. Esta condição está associada à inflamação nos pulmões que estreita as vias aéreas e dificulta a respiração.
Esta inflamação foi amplamente atribuída a moléculas conhecidas como “leucotrienos”. Esses produtos químicos são liberados pelos glóbulos brancos quando as vias respiratórias estão irritadas ou expostas a alérgenos. Como os leucotrienos desencadeiam uma reação em cadeia que comprime as vias aéreas, foram desenvolvidos medicamentos para bloquear seus efeitos e facilitar a respiração.
Agora, pesquisadores da Case Western Reserve University dizem que essas moléculas podem não ser a causa primária, afinal.
“Encontramos moléculas que são semelhantes em estrutura, mas são produzidas através de vias químicas completamente diferentes no corpo”, disse o pesquisador principal Robert Salomon, professor pesquisador de química Charles Frederick Maberry. “Acreditamos que as moléculas que chamamos de ‘pseudo leucotrienos’ podem ser atores dominantes na cascata inflamatória que leva à doença.”
As descobertas podem levar a novas abordagens para o tratamento da asma e outras condições inflamatórias. Os pesquisadores dizem que o trabalho também pode ter implicações para doenças neurológicas como o mal de Parkinson e o mal de Alzheimer. O estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e está disponível online como pré-evidência antes da publicação na revista Allergy and Clinical Immunology.
Como os radicais livres criam um tipo diferente de inflamação
Os leucotrienos, há muito considerados centrais nas doenças inflamatórias, são produzidos através de processos enzimáticos que modificam moléculas lipídicas ou gordurosas. Os pseudoleucotrienos recentemente identificados formam-se de uma maneira muito diferente.
Salomon e sua equipe descobriram que os pseudoleucotrienos são formados quando os radicais livres adicionam oxigênio aos lipídios. Os radicais livres são moléculas altamente reativas que podem causar danos se não forem controlados.
“O processo dos radicais livres é quase como uma explosão ou um incêndio”, disse Salomon, que também é professor de oftalmologia na Case Western Reserve School of Medicine. “É como quando o oxigênio reage com o combustível e você acende uma chama. Pode facilmente ficar fora de controle.”
Segundo os pesquisadores, as pessoas com asma podem ter baixos níveis de enzimas e moléculas antioxidantes que normalmente neutralizam os radicais livres antes que causem danos.
Por que os medicamentos atuais para asma podem errar o alvo
Tanto os leucotrienos quanto os pseudoleucotrienos desencadeiam inflamação ao se ligarem aos mesmos receptores, como uma chave para ligar o motor. Uma vez ativado, esse mecanismo leva ao estreitamento das vias aéreas em pessoas com asma.
Drogas como o Singulair atuam bloqueando esse receptor, impedindo que a troca se encaixe e impedindo o início da resposta.
“A verdadeira importância desta descoberta é a possibilidade de tratar estas doenças com medicamentos que inibem ou moderam o processo dos radicais livres, em vez de medicamentos que bloqueiam o receptor”, disse Solomon.
Esta abordagem pode permitir que os tratamentos atinjam com mais precisão a inflamação subjacente.
Quando a inflamação ajuda e quando dói
A inflamação nem sempre é prejudicial. Desempenha um papel importante na cura, direcionando os glóbulos brancos para o tecido lesionado. Também está envolvido na memória e no desenvolvimento normal.
Alguns medicamentos para asma estão sendo usados off-label para tratar distúrbios neurológicos. No entanto, o bloqueio dos leucotrienos pode interferir no seu papel benéfico no corpo.
“Se as moléculas que causam o problema não são os leucotrienos, mas essas outras moléculas”, disse Solomon, “um tratamento melhor seria interromper a formação dessas outras moléculas, em vez de colar a ignição”.
Testando a teoria em pacientes
Para investigar a sua hipótese, Salomon e os seus colegas confiaram em décadas de experiência no estudo da oxidação lipídica, juntamente com conhecimentos químicos, para prever a existência de pseudoleucotrienos. Eles sintetizaram as moléculas em laboratório e desenvolveram técnicas para detectá-las em amostras biológicas.
A equipe analisou amostras de urina de pessoas com asma leve ou grave e as comparou com amostras de pessoas sem a doença.
Os pseudoleucotrienos não estavam presentes apenas em pacientes asmáticos, mas os seus níveis correspondiam de perto à gravidade da doença. Pessoas com asma, seja leve ou grave, têm quatro a cinco vezes mais probabilidade do que aquelas sem asma. Os pesquisadores sugerem que essas moléculas poderiam servir como biomarcadores para medir a gravidade da doença e monitorar o desempenho dos tratamentos.
O que vem a seguir
A equipe de pesquisa planeja testar se os pseudoleucotrienos também desempenham um papel em outras doenças respiratórias. Estes incluem vírus sincicial respiratório (comumente conhecido como VSR), bronquiolite infantil e doença pulmonar obstrutiva crônica.
O estudo envolveu colaboradores de diversas instituições. Na Case Western Reserve University, a equipe incluiu Mikhail Linetsky, professor pesquisador de química, Masaru Miyagi, professor de farmacologia na Faculdade de Medicina, e estudantes de pós-graduação. Os colaboradores da Universidade de Toledo incluíram Sailaja Perchuri, professora de fisiologia e farmacologia, e Lakshminarayan Tigala, professor assistente de fisiologia e farmacologia. No Cleveland Clinic Children’s Hospital, Fariba participou como professor associado de pediatria e médico da equipe do Rezai Pulmonary Medicine Center.



