Início Ciência e tecnologia Cientistas descobrem que computadores quânticos esquecem a maior parte de seu trabalho

Cientistas descobrem que computadores quânticos esquecem a maior parte de seu trabalho

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Imagine montar uma elaborada cadeia de dominós, onde cada peça deve bater na próxima em perfeita ordem para produzir um resultado final satisfatório.

Os circuitos quânticos funcionam da mesma maneira. Eles consistem em muitas pequenas etapas, chamadas (“operações”), que trabalham juntas para processar informações de maneira altamente coordenada.

Agora imagine esses dominós ligeiramente instáveis. Nos sistemas quânticos, essa instabilidade é conhecida como “ruído”. Pode parecer pequeno no início, mas mesmo pequenos distúrbios podem aumentar com o tempo e interferir em toda a sequência.

Como o ruído limita o poder da computação quântica

Isto levanta uma questão importante. Se cada etapa de um circuito quântico for afetada por ruído, o aumento da complexidade ainda oferece uma vantagem? Os circuitos quânticos são essenciais para tecnologias como os computadores quânticos, que visam resolver problemas além do alcance das máquinas clássicas.

Um novo estudo teórico explorou esta questão em profundidade. Os pesquisadores descobriram que o ruído impõe um limite prático à profundidade de um circuito quântico, o que significa quantas etapas podem ser executadas sequencialmente. Eles também mostraram que o ruído pode facilitar a simulação de partes desse circuito usando computadores clássicos.

A pesquisa foi liderada por Armando Angrisani e Yhui Quik, da EPFL, Antonio Anna Mele, da Universidade Livre de Berlim, e Daniel Stilck Franca, da Universidade de Copenhague. Os resultados são publicados Física da Natureza.

Por que apenas a etapa final importa

Para compreender o efeito do ruído, a equipe examinou grandes grupos de circuitos quânticos construídos a partir de operações simples de dois qubits. Seu modelo incluía condições realistas, onde cada qubit experimentava ruído após cada etapa.

Usando análise matemática, eles rastrearam como cada nível de influência se movia no circuito. Os resultados revelaram que na maioria dos circuitos quânticos ruidosos, apenas as últimas etapas afetam significativamente os resultados.

Mesmo quando os circuitos são projetados para serem muito profundos, os efeitos das operações anteriores desaparecem gradualmente. Na comparação do dominó, é como se apenas a peça final determinasse o resultado final.

Isto tem implicações reais. Quando um computador quântico é usado para calcular propriedades como a energia ou o estado de um qubit, o resultado é amplamente determinado pela camada final. As atividades anteriores efetivamente “desaparecem da memória” à medida que o ruído se acumula.

Por que circuitos quânticos barulhentos ainda podem ser treinados

Os resultados também ajudam a explicar por que circuitos quânticos ruidosos ainda podem ser adaptados ou “treinados” para tarefas específicas. Alterar as configurações do circuito pode afetar os resultados, mas principalmente porque as etapas finais desempenham um papel ativo.

Conseqüentemente, um circuito profundo afetado pelo ruído se comporta de maneira muito semelhante a um circuito raso. Adicionar mais etapas não aumenta necessariamente o desempenho, pois a maioria das etapas anteriores não contribui mais de forma significativa.

O que isso significa para a futura tecnologia quântica

Este trabalho fornece uma imagem clara do que as máquinas quânticas atuais podem alcançar de forma realista. É pouco provável que o simples aumento da profundidade do circuito dê bons resultados para muitas tarefas comuns, especialmente aquelas baseadas em medições locais.

O progresso futuro provavelmente dependerá da redução do ruído ou do projeto de circuitos que possam operar de forma eficaz apesar dele. O estudo também destaca um possível equívoco. Circuitos ruidosos podem parecer treinados, mas isso ocorre em parte porque o ruído já reduziu sua complexidade efetiva. Tratar o ruído como um simples borrão pode levar a expectativas irrealistas sobre as verdadeiras capacidades da computação quântica.

Contribuinte

  • Universidade Livre de Berlim
  • EPFL
  • Universidade Sorbonne
  • Universidade de Chicago
  • Instituto Fraunhofer Heinrich Hertz
  • ENS Lyon
  • com

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