um Os pilares fundamentais da cosmologia moderna podem estar a começar a tremer. UM Estudar Evidências publicadas na Nature sugerem que o universo pode não se comportar da mesma forma em todas as direções nas maiores escalas observáveis.
“O que descobrimos foi uma rede de filamentos massivos e paredes galácticas que estão alinhados e interligados ao longo de milhares de milhões de anos-luz”, disse Francesco Silos Labini, diretor de investigação física do Centro de Investigação Enrico Fermi, em Itália, e principal autor do estudo.
Como deveria ser o universo?
Para explicar a descoberta, Silos usa uma analogia muito mais simples do que qualquer equação matemática. Imagine um mapa do universo onde cada galáxia é representada por um único ponto. Se o Universo for verdadeiramente uniforme nas maiores escalas, explica ele, deverá chegar um ponto em que o mapa pareça o mesmo em todas as direções. Tal como uma fotografia vista a uma grande distância, os seus detalhes irão gradualmente desfocar-se até restar apenas um fundo quase uniforme.
Mas Silos e seu colega Marco Galloppo não conseguiram encontrá-lo.
“A ideia de que o universo se torna estatisticamente uniforme em escalas suficientemente grandes permite-nos descrevê-lo usando modelos matemáticos relativamente simples”, diz Silos. As suas observações, no entanto, sugerem que o universo real pode ser mais estruturado e organizado direcionalmente do que esta imagem assume.
Por outras palavras, a organização destas vastas redes cósmicas não desaparece à medida que regiões cada vez maiores do universo são examinadas. Em vez de desaparecerem lentamente num fundo sem características, as maiores estruturas do Universo retêm padrões reconhecíveis mesmo em escalas onde, de acordo com o modelo cosmológico padrão, esses padrões já não deveriam ser detectáveis.
Não existe flecha cósmica, mas um padrão permanente
Os pesquisadores ressaltam, porém, que essa constatação exige uma qualificação importante. Isto não significa que o universo tenha um único eixo ou direção preferencial.
“Não estamos afirmando que todo o universo tenha uma direção preferida, como se a flecha cósmica estivesse atravessando o espaço”, disse Silos. “O que temos é muito mais sutil.
Em vez disso, a equipa detectou padrões consistentes na distribuição de galáxias que persistem ao longo de distâncias extraordinariamente grandes.
À medida que o tamanho do universo sob observação aumenta, as galáxias deverão eventualmente tornar-se indistinguíveis de um fundo uniforme, tal como as fotografias desfocadas de analogias anteriores. “Em vez disso, novas estruturas coerentes continuam a surgir à medida que expandimos o nosso campo de visão”, disse Silos. “Em vez de convergir para a uniformidade, a teia cósmica permanece organizada em escalas cada vez maiores.”
A conclusão é o culminar de mais de duas décadas de pesquisa. Desde o início dos anos 2000, Silos tem tentado responder a uma questão que raramente é examinada diretamente: como sabemos realmente que o Universo se tornou homogéneo e isotrópico em escalas suficientemente grandes? (Um meio isotrópico tem as mesmas propriedades físicas em cada lado.)




