A polícia espanhola disse esta quarta-feira que estava a investigar cânticos “islamofóbicos e xenófobos” ouvidos durante o jogo internacional de futebol Espanha-Egito em Barcelona, que o primeiro-ministro disse terem “manchado” o país.
O hino nacional do Egito também foi vaiado antes do empate em 0 x 0 de terça-feira em um amistoso pré-Copa do Mundo, quando as autoridades do estádio RCDE, do Espanyol, da La Liga, apelaram repetidamente aos torcedores pelo sistema de som para que se abstivessem de fazer comentários ofensivos.
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Este é o mais recente de uma série de incidentes semelhantes que varreram o futebol espanhol nos últimos anos, com o atacante brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, em particular, repetidamente abusado racialmente.
“Estamos investigando os cantos islamofóbicos e xenófobos de ontem no estádio RCDE durante o amistoso Espanha-Egito”, escreveu o Mossos d’Esquadra X, a força policial regional da Catalunha.
Uma parte dos apoiadores gritava: “Aquele que não pula é muçulmano”.
Um dos titulares da Espanha na partida de terça-feira, o atacante Lamin Yamal, que joga no Barcelona, rival do Espanyol, e é muçulmano, condenou os gritos como “uma falta de respeito e algo intolerável”.
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“Para aqueles que cantam essas coisas: usar a religião como forma de zombaria em campo faz você parecer ignorante e racista”, escreveu a estrela adolescente no Instagram.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez condenou um incidente “inaceitável” em X, acrescentando: “Não podemos permitir que uma minoria incivilizada manche a realidade de Espanha, um país diverso e tolerante”.
O Ministro da Justiça, Felix Bolanos, disse no X que “insultos e slogans racistas nos envergonham como sociedade”.
“A extrema direita não deixará espaço livre do seu ódio e aqueles que hoje permanecerem calados serão cúmplices”, acrescentou.
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– ‘Intolerável’ –
Num comunicado, a Federação Egípcia de Futebol expressou a sua “condenação total ao desprezível incidente racista” por parte de alguns espectadores que “ultrapassaram a linha”.
A Federação Espanhola de Futebol condenou o slogan, tal como a maioria dos principais partidos políticos.
Mas Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita Vox, publicou novamente uma foto tirada no jogo com torcedores agitando bandeiras espanholas vermelhas e amarelas com a mensagem: “Torcedores orgulhosos, país orgulhoso”.
“Quando a Espanha joga, não há espaço para dúvidas ou divisões”, acrescenta a mensagem.
O jogo do Barcelona foi transferido do Catar devido à guerra no Oriente Médio e foi disputado em condições hostis desde o início.
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Uma mensagem pedindo aos torcedores que parassem com os cantos e comentários xenófobos foi exibida no telão no intervalo e lida em voz alta pelo locutor do estádio em campo.
O anúncio foi repetido no início do segundo tempo, fazendo com que setores da multidão de 35 mil pessoas respondessem com assobios.
“Não sei exatamente qual é o protocolo, mas acho que foi a decisão certa exibir e anunciar a mensagem na tela”, disse o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, após a partida, chamando o canto de “intolerável”.
“As pessoas violentas usam o futebol para conquistarem um lugar para si. Têm de ser afastadas da sociedade, identificadas e mantidas o mais longe possível”, acrescentou o técnico de 64 anos.
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– Primeira Afirmação –
A Espanha tem lutado para eliminar o racismo nos jogos de futebol.
Vinicius, de 25 anos, tem sido alvo de abusos racistas desde que chegou à capital espanhola vindo do Flamengo brasileiro em 2018.
Em janeiro de 2023, torcedores do Atlético Madrid penduraram uma efígie de Vinicius em uma ponte perto do campo de treinamento do Real Madrid.
Em 2025, cinco adeptos do Real Valladolid, que abusaram racialmente de Vinicius durante um jogo de 2022, foram considerados culpados por um tribunal de cometer um crime de ódio – a primeira decisão deste tipo em Espanha relativamente a insultos num estádio de futebol.
O jogo da Espanha contra o Egito foi um jogo de preparação para a Copa do Mundo deste verão, com os dois países se classificando para o torneio nos Estados Unidos, Canadá e México.
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La Rosa enfrentará Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai no Grupo H, enquanto o Egito enfrentará Bélgica, Nova Zelândia e Irã no Grupo G.
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